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Magazine Cultural #15

por NCAEFFUP, em 27.04.16

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Categoria: Música

10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte – José Cid (1978)

Classificação do NC: 10/10

 

Editado em 1978, “10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”, ignorado à época – foram vendidas menos de mil cópias – tornou-se, décadas mais tarde, um fenómeno de culto, tornando-se uma espécie de mito na carreira de José Cid.

 “10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”, gravado com Zé Nabo, na dupla função de baixista e guitarrista, com o guitarrista Mike Sergeant e com o baterista Ramon Galarza, deambula entre uma redenção pós-apocalíptica, ao sabor das melodiosas ondas sonoras emitidas pelo Mellotron. Baseado num conceito abrangido pela ficção científica, a trama é que, 10.000 anos após a autodestruição da Humanidade, um homem e uma mulher regressam à Terra, com o objetivo de a repovoar novamente. O tom das músicas acaba por ser de contemplação sobre os equívocos do passado da Humanidade e sobre a expectativa de um destino revivido.

Certamente será um disco que marcará para sempre a história da música portuguesa e do rock progressivo, que tem sido alvo de um crescente reconhecimento, ao ponto de surgir entre as listas dos melhores de sempre na imprensa internacional. Se gostas dos Pink Floyd, King Crimson ou dos Genesis, este álbum é para ti!

 

Samuel Oliveira

 

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Borboleteando #1

por NCAEFFUP, em 10.04.16

Receio (s.m., 1ª pess. sing. pres. ind. de recear):

Na primeira página, um pequeno barco no mar branco do papel: “Errando discitur” (aprendemos com os erros). Releio a frase até a mastigação a transformar num conjunto de vocábulos sem significado e a ansiedade ficar reduzida a uma memória. Resignada, viro a página, pego na caneta e começo a organizar os apontamentos. O processo não dura muito tempo, uma urgência cresce nas palavras e, quando me apercebo, estou a contemplar a parede.

Aprendemos com os erros, recordo-me. Tento que o significado se entranhe em mim, contudo, nada se altera – a parede continua cinzenta, o quadro acumula pó há semanas e as notas amareleceram na esperança de serem marcadas como concluídas. O receio de falhar amputa-me a motivação. Quantas vezes as palavras certas, mesmo na ponta da língua, não pertenceram a outra pessoa e me limitei a acenar em acordo? Quantas oportunidades se perderam deste modo? Quantas vitórias? Sempre o receio, esse veneno autoinfligido, espalhado pelos tecidos e paralisando os membros.

Respiro fundo, levanto-me e caminho até à cozinha. Retorno à secretária cinco minutos depois, com uma chávena a fumegar. Quando me sento, contemplo a página com meia dúzia de linhas completas e atravessa-me o pensamento um lugar-comum, que me instiga a fazer, todos os dias, algo que receio. Parece idiota, mas quando voltei a pegar na caneta, terminei dois dos três capítulos em espera.

- N

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Magazine Cultural #14

por NCAEFFUP, em 30.03.16

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Categoria: Literatura

Crónica de Uma Morte Anunciada - Gabriel Garcia Márquez (1981)

Classificação do NC: 8/10

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Se a nomenclatura transmite, em algumas ocasiões, informações acerca do conteúdo de um romance, em a “Crónica de Uma Morte Anunciada” de Gabriel García Márquez, é capaz de captar todo o seu teor. Isto porque o livro não é mais do que isso mesmo: a crónica da morte de Santiago Nasar, um óbito mais que anunciado. Depois de responsabilizado por ter desonrado Ángela Vicario, os irmãos desta, Pablo e Pedro Vicario, não encontram outra opção senão assassinar o jovem Santiago e, desta forma, recuperar a dignidade da sua irmã.

“Crónica de Uma Morte Anunciada” é um relato sucinto, por vezes, insensível, onde o desenvolvimento das distintas personagens que vão surgindo é pouco evidente, mas no qual estão presentes os elementos que tornaram as obras de García Márquez tão aclamadas e que lhe valeram a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em 1982. Sem dúvida, um livro que recomendo!

 

Samuel Oliveira

 

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Magazine Cultural #13

por NCAEFFUP, em 23.03.16

 

Categoria: Literatura
Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Márquez (1967)
Classificação do NC: 9/10

 

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Haverá melhor forma de enaltecer o resplendor de uma obra do que sentir a sua perpetuidade obstinada à passagem do tempo? Transposta a linha do cinquentenário destas páginas, atiradas ao vento no decorrer do ‘boom’ latino-americano, convertidas - como no realismo mágico das suas linhas - em ave transponível e soberana, símbolo máximo da literatura colombiana, e eternizadas a manto dourado no Nobel de 82, a história das setes gerações dos Buendía, encetada na noite da travessia de Riohacha, onde José Arcadio sonhou que se levantaria Macondo, “la cuidad de los espejos”, ainda no tempo em que “o mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para as mencionar havia que apontá-las com o dedo”, sobrevive à “millenial generation”, mantendo-se como uma das mais poderosas e cativantes narrativas de sempre, traduzida em trinta e sete línguas e com mais de trinta milhões de cópias vendidas. No sossego das estalidas invernosas da madeira ou na toalha de praia com o aroma deleitante do oceano, em português, inglês ou espanhol, este livro não deve apenas ser lido – deve ser saboreado, com curiosidade e solicitude quanto baste, pois cada página sua é um veio de conhecimento e cada relato uma lição. Como disse outrora Márquez, evocado no momento da sua morte por Obama como um dos maiores e mais visionários escritores que o planeta já conheceu, “el escritor escribe su libro para explicarse a sí mismo lo que no se puede explicar”.

 

João Pedro Almeida

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Magazine Cultural #11

por NCAEFFUP, em 13.03.16

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Categoria: Cinema

Quarto (2015)

Realizador: Tom McCarthy

Classificação do NC: 8/10

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‘Quarto’, baseado no livro de Emma Donoghue, inicia-se no dia do 5º aniversário de Jack (Jacob Tremblay). Nesse dia, Jack recebe um bolo de aniversário feito pela sua mãe, sem velas; recebe uma visita do seu pai; e é-lhe oferecido um presente, ainda que tardio. Tudo seria perfeitamente normal, exceto que ocorre no ‘Quarto’ - um espaço confinado com apenas uma clarabóia que proporciona a luz do dia. A sua mãe, Joy (Brie Larson), fora sequestrada enquanto adolescente e mantida como escrava sexual, ao estilo do terrível exemplo perpetrado por Josef Fritzl, na Áustria. Jack representa o resultado desse fenómeno: um menino sem perceção do mundo real, para além das quatro paredes que o rodeiam, e com a convicção firmemente estabelecida pelo que vê na pequena televisão do ‘Quarto’. E é, partindo do pressuposto de que para Jack, de cinco anos, o ‘Quarto’ é o mundo, que se desenrola toda a ação do filme.

Um filme original, poderoso e soberbo, no qual Jack é inesquecível ao afirmar a coragem e o amor necessários para finalizar, de forma radiante, uma biografia fortemente perturbadora. ‘Quarto’ é, sem dúvida, merecedor das várias indicações aos Óscares de que foi alvo, incluindo o de Melhor Filme, e as restantes indicações noutras categorias, como o de Melhor Atriz (o qual Brie Larson venceu!), Melhor Ator e Melhor Realizador. Muito recomendado!

 

Samuel Oliveira

 

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Boas Festas!

por NCAEFFUP, em 26.12.15

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O Núcleo de Comunicação da AEFFUP deseja a todos boas festas!

Este ano foi, sem dúvida, um ano de crescimento para o NC e contamos com todos vocês para que este trabalho que temos desempenhado, cresça ainda mais em 2016.

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Magazine Cultural #10

por NCAEFFUP, em 25.11.15

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Categoria: Cinema

O Escafandro e a Borboleta (2007)

Realizador: Julian Schnabel

Classificação do NC: 8/10

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Quando visualizei pela primeira vez o trailer de “O Escafandro e a Borboleta” (“Le scaphandre et le papillon”), um filme francês, não me despertou grande interesse. No entanto, reconheci que o realizador (Julian Schnabel) havia recorrido a ângulos de câmara bastante atraentes e inovadores. Mais tarde li acerca da história e resolvi conceder uma chance ao filme. E ainda bem que o fiz.

“O Escafandro e a Borboleta” é um filme sobre a vida de Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), um editor popular da revista de moda francesa "Elle" que, aos 43 anos de idade, sofre um acidente vascular cerebral que o deixa completamente imóvel e incapaz de falar. Um dos seus poucos músculos funcionais é o seu olho esquerdo. Posteriormente Bauby escreve a sua história utilizando uma sequência específica de letras projetadas para que pudesse piscar o olho como forma de comunicar e ser responsável por cada palavra da sua comovente biografia.

O que torna este filme tão singular é que Julian Schnabel coloca o espectador na mente e alma do personagem ao oferecer-lhe somente a perspetiva do olho esquerdo de Bauby, durante cerca de 2 horas. E o mais impressionante é que o faz artisticamente gerando uma cinematografia brilhante. Muito recomendado.

Samuel Oliveira

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