Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Titulação de Ideias - Reflexão #4

por Carlos Sá, em 22.10.15

Agostinho da Silva foi porventura um dos maiores filósofos portugueses de todos os tempos embora tenha sido, na verdade, mais controverso do que consensual. Considerado por muitos como um homem à frente das pessoas do seu tempo, morreu aos 88 anos deixando uma extensa obra.

Uma das suas obras intitulada: “As Aproximações”, cuja primeira edição data de 1960 é uma das minhas preferidas e uma obra que recomendo vivamente a todos.

Dessa obra extraio este excerto: “ Morre menos gente de cancro ou de coração do que de não saber para que vive; e a velhice, no sentido de caducidade, de que tantos se vão, tem por origem exactamente isto: O cansaço de se não saber para que se está a viver.” É isto que proponho a todos hoje. Uma reflexão.

A sociedade formata-nos desde o nosso nascimento. Tradições, hábitos e crenças religiosas, crenças políticas, modos de comportamento e de sucesso social, todos nos são transmitidos pelos nossos ancestrais, sem que muitas vezes pensemos sequer um segundo neles. Guiamos muitas vezes as nossas vidas pelo que os outros esperam de nós e nem sempre pelo que hipoteticamente nos pode fazer mais feliz. Sair das “regras” da sociedade, fugir ao espectável, leva à criação dos mais variados rótulos.

Porém, a vida a cada um pertence. Nem sempre o espectável é o que nós queremos, o que nos faz feliz. O caminho que estás a seguir é realmente o que te realiza, ou apenas segues o caminho que te indicaram? Reside aí a diferença entre viver e ir vivendo.

Autoria e outros dados (tags, etc)


TITULAÇÃO DE IDEIAS - REFUGIADOS #3

por Carlos Sá, em 24.09.15

Não há como fugir. Os refugiados estão na ordem do dia. Vêm de várias zonas do médio oriente. Inicialmente da Síria por causa de uma guerra que se prolonga há mais de quatro anos e agora do Afeganistão e Iraque para fugir ao Estado Islâmico.

Assisti desde o início a comentários e opiniões que abundam, seja na televisão, seja nas redes sociais, sobre este assunto. Não posso deixar de mencionar a xenofobia que reina principalmente nas redes sociais.

Em primeiro lugar é preciso diferenciar o que é Islão do que é terrorismo. O Islão é das religiões mais tolerantes do mundo. Bem mais do que a religião católica como a história nos ensinou imensas vezes. Lembro que na invasão da Península Ibérica o Califado Islâmico foi extremamente receptivo à nossa cultura e à nossa religião, havendo portanto liberdade religiosa e cultural. Podemos agora pensar que isso já foi há muitos anos. Então como explicamos que estátuas milenares ligadas ao cristianismo, que foram recentemente destruídas pelo Estado Islâmico tenham sobrevivido mais de 3000 anos em cidades cujas populações são esmagadoramente muçulmanas e praticantes do Islão? Aliás o Alcorão é claro no que toca à exigência da tolerância religiosa.

Feita esta divisão entre Islão e terrorismo, vamos situar Portugal neste contexto. Que país somos nós? Um país de emigrantes. O que aconteceu durante o Estado Novo a milhares de portugueses, que fugiam clandestinamente do nosso país para fugir à repressão ou à miséria é um desses exemplos. Mais recentemente a emigração de jovens em massa à procura de um futuro melhor é mais uma constatação desse facto.

Muitas notícias mal-intencionadas e com objectivos muito concretos, têm fomentado a xenofobia, o medo e a não-aceitação por parte de alguns portugueses dos refugiados dentro das nossas portas. Se é verdade que grupos de maioria islâmica pediram para que a cruz da bandeira da Suíça fosse retirada da mesma? É verdade. Mas também é verdade que a mesma proposta já tinha sido apresentada pelos partidos de esquerda deste país. Porque não se noticiou isso na altura?

Outra mentira que circula pelas redes sociais é que os refugiados têm rejeitado comida e água da Cruz Vermelha. É mentira. A mesma notícia foi rapidamente desmentida por elementos da instituição, porém esse contraditório não foi notícia. Porque será?

Quanto às afirmações de que os refugiados nos tentarão subjugar à sua cultura e religião, ela cai imediatamente por terra, já que em Portugal existe uma enorme comunidade islâmica e todos temos sabido viver com a multiculturalidade. Será bom também não esquecer que em Portugal, o ano passado, morreram 40 mulheres vítimas de violência doméstica e que atentados terroristas, como o protagonizado por Anders Breivik, também têm origem em europeus.

Não podemos negar o extremismo e os seus perigos, mas não podemos confundir uma parte com o todo. A Europa tem conseguido, principalmente depois dos atentados de Londres e Madrid, lidar com o terrorismo e são inúmeros os exemplos que encontramos desse facto com uma pequena pesquisa na internet.

As propagandas anti-refugiados tem apenas um propósito ideológico que a história já nos ensinou e que, com certeza, nenhum de nós o quer vivenciar.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A saúde em Portugal ao contrário de muitos países é uma realidade, ainda que, apesar de se dizer universal, o ser cada vez menos.

 

Para lá da realidade, a saúde em Portugal é também uma guerra. Uma guerra que divide três classes profissionais que lucrariam imenso em se juntarem com um objectivo comum: o bem-estar do utente/doente.

O bem-estar dos utentes/doentes é, ao que parece, cada vez menos uma prioridade apesar desses profissionais passarem quatro, cinco ou seis anos a estudarem tendo o utente/doente como foco. Não deixa de ser curioso que as várias classes envolvidas façam propostas que, segundo eles, visam melhorar os cuidados aos doentes, mas que no fundo pretendem apenas fazer a classe lucrar, ou ter mais um “tacho” aqui ou ali. As pessoas? Essas ficam atrás dos cifrões e debaixo dos pés daqueles que combatem por mais um “tacho”.

 

Enfermeiros, Farmacêuticos e Médicos são profissionais que valem por si só. Cada um tem um trabalho diferenciado e que mais ninguém pode fazer.

 

Compreendo que os tempos não são fáceis e que a taxa de desemprego seja elevada para os Enfermeiros, mas nunca vou compreender que profissionais sem conhecimento para tal, queiram receitar. Pior, não consigo compreender como se faz disto uma bandeira de uma Ordem, quando a principal preocupação devia ser as “colónias de cogumelos” que por esse país fora dão à “luz” todos os anos milhares de Enfermeiros, ou o facto de haver em média um Enfermeiro para dez doentes, quando o recomendado é um Enfermeiro no máximo para cinco doentes. Com certeza que a profissão ganharia mais em olhar para dentro do que piscar um olho aos vizinhos do lado.

 

Os Farmacêuticos caíram há pouco tempo na dura realidade que outros profissionais já vinham experienciando. O drama do desemprego ou dos contratos precários de trabalho. A par disso, junta-se as dificuldades e o fim de muitas “ galinhas de ouro”. É óbvio que há muitas causas para o principal motor de empregabilidade dos Farmacêuticos ter emperrado mas não deixa de ser óbvio também que durante anos e anos se esbanjou as fortes competências dos Farmacêuticos, em prol dos lucros. Não devem ser os doentes a pagar essa fatura como se quer fazer. Um conselho é algo inerente ao Farmacêutico, ao Médico e ao Enfermeiro. Tentar cobrar esse ato com o argumento (que a maioria usa) de que X profissional leva Y só para ver um exame, é um disparate e é até desprestigiante. E as pessoas onde ficam no meio disto?

 

Os Médicos caminham a passos largos para a situação actual dos Farmacêuticos. Prevê-se que cerca de duzentos alunos do Mestrado Integrado em Medicina não tenham vaga no acesso à especialidade no próximo ano. O aumento dos médicos tarefeiros é também uma realidade. Numa tentativa desesperada de remediar o que aí vem, a Ordem dos Médicos tem tido uma conduta lamentável tanto para com os Enfermeiros como para os Farmacêuticos. É a Triagem de Manchester que supostamente os Enfermeiros deixaram de saber fazer, descobrindo afinal, ao fim destes anos todos, que os Médicos são os únicos capazes de fazer uma triagem sem erros. São as farmácias que enganam os utentes. São os Farmacêuticos que sendo por natureza o profissional do medicamento, não devem receitar.

 

A única “guerra” verdadeiramente legítima é a da prescrição e sobre se, devem ou não os Farmacêuticos prescreverem. É verdadeiramente a única “guerra” interclasses que faz sentido e a única que sendo viabilizada poderia melhorar a saúde em Portugal e a qualidade dos cuidados prestados aos utentes/doentes.

 

E que bom seria que sobre as três classes descesse uma boa dose de clarividência que os fizesse compreender que o Enfermeiro cuida, o Médico diagnostica e o Farmacêutico prescreve, ainda que para isso devessem haver algumas alterações no plano curricular do M.I.C.F. Ganharia a saúde, os portugueses e Portugal.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Titulação de Ideias #1 - Queimados

por Carlos Sá, em 21.05.15

A Queima das Fitas é um dos eventos mais aguardados por todos os estudantes universitários. Para uns significa a despedida, para outros, o festejar do fim do início de uma nova etapa.

A queima do Porto é considerada por muitos a maior e a melhor queima do país. Infelizmente ao longo dos últimos anos temos assistido a um degradar do seu conceito. Aquela que supostamente é uma festa universitária, tem-se tornado, aos poucos, numa espécie de festival de verão cujo objectivo máximo é atingir o maior lucro possível.

Aos olhos dos organizadores, os estudantes, para quem supostamente é organizada a Queima das Fitas, não são mais do que “apenas mais uns” participantes deste evento. Não se compreende sobre nenhum ponto de vista que tenha deixado de existir os bilhetes a preço de estudante. Um estudante paga hoje para entrar no queimódromo o mesmo que um não estudante. É compreensível?

Da mesma forma, os organizadores que dizem não terem fins lucrativos, exploram de forma inaceitável as barraquinhas, vendendo bebidas e afins a preços completamente deslocados da realidade. Quem perde com isto? Mais uma vez os estudantes, já que para quem “vem de fora” os preços praticados são bastante atrativos.

Um evento desta envergadura envolverá sempre custos bastante elevados. Aluguer do espaço, contratação de artistas, segurança etc, mas não se compreende sobre nenhum ponto de vista a exploração que se tem feito aos estudantes, principalmente nestes tempos de crise. Quem sai beneficiado com isto? Os estudantes não são com certeza.

A prioridade na educação corre o risco de vir a morrer por acidente tachovascular. Os estudantes da Academia do Porto merecem mais e melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Etiquetas:





Arquivo NC

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D