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Papel Farmacêutico #7

por Luís Fernandes, em 20.03.16

Farmacêuticos ou Profissionais de Saúde?

 

O título deste artigo de opinião dá que pensar, porque na minha opinião o modelo atual de integração do Farmacêutico, como profissional de saúde, no Serviço Nacional de Saúde (SNS) possui muitas falhas que sem dúvida comprometem a qualidade do serviço prestado ao utente e muitas vezes a sua própria saúde. É necessário uma mudança que inclua o Farmacêutico no SNS de forma a que este, como especialista do medicamento, possa ter um papel mais ativo e participar de forma mais direta na terapêutica aplicada ao utente.

 

O Farmacêutico Comunitário, restringindo-me apenas a este, ao contrário do que querem fazer passar e do que a maior parte da sociedade desinformada do nosso país pensa, é um profissional altamente qualificado que dispensa medicamentos e aconselha o utente para que a terapêutica aplicada, seja a mais indicada para o caso do mesmo.

 

O papel do Farmacêutico Comunitário é apoiar o paciente na construção do seu próprio conhecimento e de atitudes com vista ao uso dos seus medicamentos de forma responsável e consciente de todos os riscos/benefícios que os fármacos podem representar.

 

O Farmacêutico orienta o utente para o uso correto dos fármacos que foram prescritos e os que não foram prescritos, tendo como objetivo fucral melhorar os efeitos terapêuticos e diminuir a probabilidade de aparecimento dos indesejados efeitos adversos e toxicidade. Este tem também um papel importante na passagem de informação sobre cuidados de saúde e higiene de modo a prevenir potenciais complicações e doenças e/ou melhorar o estado geral do utente.

 

Por estas razões, é que vejo com bons olhos a abertura demonstrada pelo atual ministro da saúde, Adalberto Campos Fernandes, ao anunciar no dia 17 do mês de fevereiro, na cerimónia de tomada de posse da nova bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, que os serviços desenvolvidos pela rede de farmácias vão ser expandidos e que os farmacêuticos vão estar mais integrados nas equipas de saúde, visando uma maior cooperação entre os profissionais do setor.

 

A nova Bastonária lançou o desafio de pôr o doente no centro das atenções e promover a cooperação, em vez de competição, entre profissionais de saúde.

 

Concordo com a opinião da Dra. Ana Paula Martins, é tempo de mudança, é tempo de colocar o doente no local que ele deve estar, ou seja, como peça central deste grande puzzle que é a saúde. É tempo de unir esforços para que todos os utentes tenham acesso de forma igualitária a cuidados de saúde, o que na minha opinião só será possível com o contributo das Farmácias, pois cada vez mais o SNS está mais longe da população, dada as politicas seguidas pelos anteriores governos de encerramento de grande parte dos centros de saúde em Portugal.

 

Considero assim, que as Farmácias Comunitárias são unidades de prestação de serviços de saúde que deveriam passar a integrar a rede de cuidados primários do SNS e com isto dar um importante contributo no acompanhamento dos utentes, especialmente os doentes crónicos.

 

Sobre a proposta de integrar os Farmacêuticos nas equipas familiares, o ministro concordou com a "perspetiva de maior inclusão do farmacêutico comunitário no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a sua integração na equipa de família”, mas especificamente sobre a possibilidade de haver um farmacêutico nos centros de saúde proposta pela bastonária, adiantou que "dificilmente será possível concretizar".

 

Quanto a este facto, é com tristeza que vejo a tentativa de aproveitamento da boa vontade dos Farmacêuticos, pois a abertura anteriormente demonstrada pelo ministro da saúde embora seja proveitosa para o utente, quando se fala em retribuir de alguma forma o esforço que esta classe profissional tem feito em prol do doente, vejo que a vontade e a abertura decrescem exponencialmente.

 

Mais uma vez não posso deixar de concordar com a Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, pois considero que é de extrema importância a presença de um destes profissionais nos centros de saúde em Portugal, uma vez que neste contexto o Farmacêutico assumiria um papel muito importante, semelhante ao que já exerce a nível hospitalar, ou seja, o Farmacêutico seria o responsável pela validação e análise Farmacoterapêutica da prescrição (doses, frequência de administração, interacções farmacoterapêuticas e vias de administração) e ainda contribuiria para a deteção e notificação de quaisquer reações adversas que pudessem surgir da utilização dos fármacos, entre muitas outras funções, não menos importantes.

 

Por esta razão considero de extrema importância, a incorporação do Farmacêutico ao nível de todos os centros de saúde, pois só assim se dota o Farmacêutico de todo o conhecimento clínico do utente para que a validação da prescrição seja feita da forma mais correta possível, dados que neste momento não estão acessíveis aos Farmacêuticos que trabalham nas Farmácias Comunitárias.

 

Para fechar este artigo, gostaria de realçar o meu desagrado pelo que tenho observado no setor público, pois este, não tem sido ao longo dos últimos anos um setor de oportunidades para os Farmacêuticos, como a denotada necessidade destes profissionais no SNS o deveria exigir e pelo que vejo, infelizmente, não há vontade de efetuar uma mudança profunda neste aspeto, pelo menos para já.

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