Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Papel Farmacêutico #6

por Luís Fernandes, em 23.11.15

Papel do Farmacêutico no controlo dos psicotrópicos em Portugal

 

Antes de abordar o tema dos psicotrópicos em Portugal de forma mais pessoal, importa contextualizar-te para o tema. Estes medicamentos segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) “são os que agem no Sistema Nervoso Central, produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, possuindo grande propriedade reforçadora sendo, portanto, passíveis de auto-administração". Em outras palavras, estes medicamentos levam à dependência.


Depois de perceberes o conceito de medicamento psicotrópico, creio que já percebeste que tanto a prescrição (por parte dos Médicos) assim como a dispensa (por parte dos Farmacêuticos) não pode ser feita de ânimo leve e deve seguir um conjunto de normas rigorosas que têm como objetivo final, a utilização destas substâncias ativas de forma segura.
O Farmacêutico como especialista no medicamento tem como dever deontológico aconselhar e prevenir possíveis erros de prescrição no âmbito dos psicotrópicos, assim como em situações de auto-medicação por parte do utente, ser pró-ativo na tentativa de o demover a usar estes mesmos medicamentos de forma autónoma e descontrolada.


No circuito dos medicamentos em geral e nos psicotrópicos com um cuidado especial, o Farmacêutico é o responsável pela Análise Farmacoterapêutica da prescrição (doses, frequência de administração, interações farmacoterapêuticas e vias de administração) outro contributo importante que o Farmacêutico dá, é o facto de contribuir para a deteção e notificação de quaisquer reações adversas que possam surgir da utilização destes fármacos, assim como de todos os outros é claro. Por esta razão considero de extrema importância a incorporação do Farmacêutico na visita médica a nível hospitalar (já acontece em alguns hospitais), uma vez que só assim é possível dotar o profissional de um conhecimento mais alargado acerca do doente, peça fundamental aquando a validação da prescrição médica.


É do conhecimento geral que a utilização irresponsável deste tipo de fármacos é prática comum no nosso país e na atual conjuntura económica esse mesmo uso tem vindo a aumentar constantemente, por esta razão considero que há muito a fazer nesta área, embora tenhamos assistido a inúmeros esforços por parte da “nossa” classe, nomeadamente as diversas campanhas de sensibilização para o uso responsável do medicamento que têm sido divulgadas pelos meios de comunicação.


Em suma, e agora em tom de desabafo para a meia dúzia de indivíduos que poderão ter perdido alguns minutos a ler esta crónica, afirmo com toda a convicção que à medida que aprofundo o conhecimento sobre Profissão Farmacêutica, mais envolvido fico. E considero que o futuro, para nós estudantes de Ciências Farmacêuticas em Portugal poderá ser muito difícil mas também muito promissor, porque se cumprirmos o nosso papel com gosto, acreditem que podemos marcar a diferença pela positiva na área da saúde.

 

“Pelo uso responsável do medicamento”

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Papel Farmacêutico #5

por Luís Fernandes, em 29.10.15

Congresso Nacional dos Farmacêuticos 2015 : A reflexão de um estudante

 

Na rubrica Papel Farmacêutico desta semana irei dar destaque ao evento que irá decorrer entre os dias 29 e 31 de outubro, que como a maioria de vocês já sabe é o Congresso Nacional dos Farmacêuticos, evento este a que infelizmente não poderei comparecer.

Devido a este facto, senti a necessidade de dar a conhecer pelo menos a minha opinião sobre os temas gerais que compõe o congresso e espero com esta crónica despertar o interesse para os mesmos, daqueles que não poderão assim como eu comparecer, mas também daqueles que irão lá estar.

Depois de uma consulta atenta no microsite do congresso, decidi que abordar numa só crónica todos os temas que nele vão ser tratados seria uma tarefa impossível para o formato desta rubrica, pelo que irei, nesta pequena reflexão apenas me restringir ao tema mais abrangente e que será o mote para todos os outros conteúdos do congresso.
Posto isto, farei, à semelhança do desafio que vos irá ser proposto nos dias 30 e 31 de outubro, uma reflexão sobre o sistema de saúde português e a relevância da intervenção profissional dos mais de 14 mil farmacêuticos portugueses em prol dos doentes e dos cidadãos em geral.

Certamente irei apresentar argumentos que já referi em crónicas anteriores, mas creio que perdoar-me-ão essa repetição e para que não desistam de ler esta crónica irei apresentar cada uma das reflexões por tópicos, deixando à vossa mercê a leitura de todos os tópicos ou de apenas aqueles que mais vou aprouver.
Sistema de saúde: Neste tópico gostaria de começar por salientar a qualidade do nosso sistema de saúde, já reconhecido por muitos como sendo dos melhores a nível mundial. Considero que este reconhecimento não foi benéfico, uma vez que temos observado nos últimos tempos a uma degradação do mesmo. Os cortes indiscriminados no sistema de saúde levaram a que mesmo com o esforço dos profissionais de saúde, se tornasse impossível a manutenção da qualidade do serviço prestado. O papel do Farmacêutico é transversal em todas as áreas que compõem o sistema de saúde e na minha opinião talvez seja este um dos profissionais mais responsáveis pela contenção do impacto que os cortes têm causado na qualidade do sistema de saúde em Portugal. Importa referir que grande parte dos cortes na saúde em Portugal foram feitos a nível dos medicamentos e mesmo a trabalhar com margens de lucro muitas vezes incomportáveis, os Farmacêuticos não deixaram de ser responsáveis e realizar o seu papel com o brio e profissionalismo a que os utentes tanto se habituaram.

Farmácia Comunitária: Neste tópico gostaria que me acompanhassem num raciocínio básico que muitos dos nossos responsáveis políticos não têm conseguido fazer, ou os lobbys não lhes têm permitido fazer. O profissional de saúde mais próximo da população é o Farmacêutico e a formação e conhecimento que este dispõe, faz com que as farmácias sejam unidades de saúde que podem responder de forma eficaz aos mais diversos desafios do quotidiano do utente, podendo integrar a rede de cuidados primários do SNS e com isto dar um importante contributo no acompanhamento dos utentes, especialmente os doentes crónicos. Por tudo isto, os desafios para os Farmacêuticos Comunitários são grandes e só com apoio público se poderá alcançar um modelo de saúde acessível a todos os utentes.

Farmácia Hospitalar: Neste contexto o Farmacêutico assume um papel muito importante, embora muitas das vezes seja um profissional sombra (não é visto no exercício na maioria das suas funções) para a maioria dos utentes. No circuito dos medicamentos a nível hospitalar, o Farmacêutico é o responsável pela validação e análise Farmacoterapêutica da prescrição (doses, frequência de administração, interacções farmacoterapêuticas e vias de administração), pela dispensa em regime de ambulatório e ainda contribui para a detecção e notificação de quaisquer reações adversas que possam surgir da utilização dos fármacos, entre muitas outras funções, não menos importantes. Por esta razão considero de extrema importância, a incorporação do Farmacêutico na visita médica a nível hospitalar em todos os hospitais, pois só assim se dota o Farmacêutico de todo o conhecimento clínico do utente para que a validação da prescrição seja feita da forma mais correta possível. Para fechar este tópico, gostaria de afirmar que é com desagrado que tenho observado que o setor público não tem sido ao longo dos últimos anos um sector de oportunidades para os Farmacêuticos, como a denotada necessidade destes profissionais no Sistema Nacional de Saúde (SNS) o deveria exigir.

Distribuição Grossista: Dentro desta área há muito a dizer acerca do papel do Farmacêutico e sem dúvida que tem sido uma área que tem colocado inúmeros desafios aos profissionais que decidiram abraçar esta área. O Farmacêutico é responsável pela permanente avaliação e manutenção da qualidade segurança e eficácia dos medicamentos comercializados ao nível da distribuição grossista, sendo por isso a peça fundamental em toda a distribuição de medicamentos e o principal responsável pela segurança dos fármacos em todo o circuito do medicamento até chegar ao utente. Sendo este um setor muito desconhecido para a maioria dos utentes, é de facto relevante dar a conhecer a importância destes profissionais e sem dúvida que é das áreas que mais contribui na minha opinião para a versatilidade da profissão farmacêutica.

Indústria Farmacêutica: Atendendo ao nome do sector seria de esperar que fosse este um dos mais apetecíveis para os Farmacêuticos e de facto é, mas nos últimos tempos têm-se verificado alguma tendência para a precariedade e esta área já não é líder na ambição do Farmacêutico recém-mestre. O papel do Farmacêutico nesta área é muito vasto e complexo, e abrange várias áreas que passarei a enumerar: produção do medicamento, garantia de qualidade, embalagem de medicamentos, elaboração e controle da documentação técnica, controle de qualidade físico-química e microbiológica, assuntos regulamentares, planeamento e controle da produção, marketing, desenvolvimento de produtos, pesquisa clínica, Farmacovigilância, distribuição e representação comercial. Dadas as inúmeras responsabilidades do Farmacêutico em todas estas atividades que fazem parte da Indústria Farmacêutica, espero que esteja para breve uma mudança no setor e espero poder assistir à dignificação de todos os profissionais que trabalham nesta área.

Análises Clínicas: Esta área é muito importante, uma vez de demostra bem que o Papel do Farmacêutico e as atividades que por este são realizadas não se restringem apenas ao âmbito do medicamento. A versatilidade da formação do Farmacêutico permite-lhe ter um papel preponderante em outras áreas, como nas Análises Clínicas. Não é ainda do conhecimento de alguns estudantes de Ciências Farmacêuticas e da sociedade em geral, que a Direção Técnica e a propriedade da maioria dos laboratórios de análises clínicas em Portugal são de Farmacêuticos. Os dados estatísticos não mentem quando afirmam que foram as Análises Clínicas que muito contribuíram para a melhoria da saúde em Portugal, com base no que disse hà pouco foram na sua maioria Farmacêuticos que contribuíram para a melhoria dos indicadores de saúde em Portugal. O papel do Farmacêutico tem sofrido adaptações ao longo do tempo nesta área, uma vez que já não são apenas quem realiza as Análises Clínicas, como são também os consultores. Foi então assim reconhecida a competência dos Farmacêuticos Especialistas em Análises Clínicas nesta área a par com os Médicos Especialistas, sendo estes profissionais a chave para a racionalização dos custos associados à saúde. Considero que as Análises Clínicas em Portugal são um setor em que se verifica um elevado grau de reconhecimento do papel do Farmacêutico, posto isto, é muito importante que este facto não se venha a alterar e que todos os profissionais desta área se juntem para manter o estatuto que conquistaram.

Análises toxicológicas, Análises ambientais, Análises de água e de alimentos: Decidi neste tópico aglomerar alguns dos principais tipos de análises que têm como responsável o Farmacêutico. E qual a razão desta aglomeração, é simples, a crónica já vai longa e tentarei ser um pouco mais sucinto neste caso, pois tratar cada uma de forma individual levaria a mais umas boas centenas de palavras. Indo direto ao assunto, o Farmacêutico é aquele que se poderá chamar o Homem dos 7 oficios (são mais) e nas Análises Toxicológicas este tem competências para desempenho profissional em centros de investigação, laboratórios de análises químico-biológicas, centros de anti-venenos, nas delegações do Instituto de Medicina Legal ou como peritos jurídico-legais. Ao nível das Análises ambientais, de água e de alimentos, o papel do Farmacêutico aparece bem vincado ao nível do controlo de qualidade bem como na aplicação de todos os conhecimentos nutricionais e de análise de alimentos que adquire ao longo da sua vasta formação. Na minha opinião, este tópico aborda áreas em que os Farmacêuticos têm vindo a perder terreno para outros profissionais que têm surgido no mercado, por isso é essencial que se tome um conjunto de medidas para voltar a recuperar, um lugar que pertence à profissão farmacêutica.

Ensino e investigação científica: É de salientar que enquanto estudantes do Mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas é com profissionais desta área que temos mais contato. Esta é sem dúvida a área que está na “moda” entre os estudantes e muitos sonham em tornar-se um dia em grandes investigadores. Posto isto, considero que o caminho passa por adequar cada vez mais o ensino às necessidades profissionais e incentivar cada vez mais projetos de investigação que promovam a inovação na profissão farmacêutica e que demostrem o elevado valor do contributo dos Farmacêuticos na saúde em geral. Por estas razões, é com preocupação que vejo os sucessivos cortes feitos nos apoios à investigação em Portugal e não posso deixar de dar os parabéns aos investigadores, que dentro do nosso país, conseguem com pouco obter resultados muito importantes para a saúde a nível mundial.

Por Fim, e para dar por terminada esta crónica, gostaria apenas de desejar a todos os que estarão presentes no Congresso Nacional dos Farmacêuticos, um bom congresso e para todos aqueles que não poderão estar presentes e perderam algum tempo a ler esta crónica espero que tenham conseguido comigo, fazer uma reflexão sobre o Farmacêutico e o seu Papel nas mais diferentes áreas de intervenção na sociedade.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Papel Farmacêutico #4

por Luís Fernandes, em 15.10.15

Farmacêutico de Família

 

Esta semana pensei em abordar um tema que se tem batalhado ao longo do tempo por diversos órgãos ligados ao universo farmacêutico que é o conceito de Farmacêutico Clínico (Farmacêutico de Família).Este conceito existe noutras profissões da área da saúde, como na classe médica, mas também muito se tem falado no enfermeiro de família.

O pressuposto anterior é defendido pela Ordem dos Farmacêuticos e assenta na necessidade de um SNS (Serviço Nacional de Saúde) mais próximo e mais acessível aos utentes.

Se pensarem bem, o profissional de saúde mais próximo da população é o Farmacêutico e a formação e conhecimento que este dispõe, faz com que as farmácias sejam unidades de saúde que podem responder de forma eficaz aos mais diversos desafios do quotidiano do utente. Embora o conceito de Farmácia Comunitária, como unidade de saúde tenha vindo a ser desvirtuado, muito por força da adaptação ao mercado cada vez mais exigente, cujo lucro é impossível de descorar. Considero que ainda assim, as Farmácias Comunitárias são unidades de prestação de serviços de saúde que deveriam passar a integrar a rede de cuidados primários do SNS e com isto dar um importante contributo no acompanhamento dos utentes, especialmente os doentes crónicos.

O estatuto de Farmacêutico Clínico, que reiteradamente os profissionais consideram como seu, não é nada mais que uma forma de colocar no papel muito do que já acontece no quotidiano das farmácias espalhadas pelos mais remotos locais do país e poderá ser um ponto de partida para que, no futuro, o Farmacêutico possa de forma legítima intervir na monitorização da doença e na renovação da terapêutica dos doentes crónicos. Renovação que muitos problemas e incómodos tem provocado nos portugueses, pois considero que o recurso a uma unidade de saúde para renovar uma receita médica é sem dúvida um desperdício de recursos.

Os mais críticos da nossa classe (digo nossa, pois como estudante já me sinto como parte integrante da mesma) podem dizer com discursos embelezados que para a renovação da receita médica é necessário uma consulta para avaliar a eficácia da terapêutica. Pois meus caros "doutores" deste país, concordo e subscrevo essa opinião, embora saiba que isso não acontece em inúmeras unidades do SNS, uma vez que não considero que o levantamento das receitas na funcionária da secretária seja uma consulta de avaliação da terapêutica e esta situação consegue se tornar ainda mais ridícula quando temos os especialistas no medicamentos (Farmacêuticos) à disposição da maioria da população sem necessidade de aguardar por uma consulta e como a vossa sabedoria e sanidade creio que poderá confirmar, os Farmacêuticos estão como é óbvio aptos a revalidar a prescrição e a avaliar a eficácia da terapêutica prescrita.

Por fim, aconselho que este tema seja prioritário na agenda dos responsáveis pela saúde portuguesa e espero que o próximo governo que tome posse, seja ele qual for, aproveite para de uma vez por todas, ouvir os Farmacêuticos e colocar a saúde dos portugueses em primeiro lugar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Papel Farmacêutico #3

por Luís Fernandes, em 07.10.15

Zé das caixas ou mais amigavelmente chamando o Sr. das caixinhas

 

Se têm seguido as crónicas da Rubrica Papel Farmacêutico devem estar a pensar que deixei de me interessar por escrever sobre o papel do Farmacêutico, ou pior, desisti de tentar pelo meio destas crónicas de dar o meu contributo para enaltecer a profissão Farmacêutica.

Terão de concordar comigo que estaria no meu direito, não é verdade?!

Como cidadão livre que sou, poderia ter-me juntado a muitos outros que desistiram, mesmo que muitos deles não o devessem fazer pelo cargo que ocupam, mas isso são outras histórias, talvez numa próxima crónica escreva sobre esses indivíduos ou talvez não, logo se vê.

A verdade é que nada do que disse acima aconteceu, não desisti, continuo aqui com os discursos chatos ou nem tão chatos a tentar mostrar um pouco da minha opinião sobre vários assuntos ligados ao Farmacêutico e à sua profissão.

Mas falando agora do tema desta crónica, quem é o Zé?! Perguntam vocês. O Zé não é nada mais nada menos que o Manel, o Filipe, o Pedro, a Maria (para não dizerem que não atento nestes textos à igualdade de género) e tantos outros cuja profissão que decidiram desempenhar é a profissão Farmacêutica, mais especificamente a Farmácia Comunitária.

Neste momento não é necessário explicar mais nada, porque com certeza já entenderam o título da crónica. Pois bem, estes são indivíduos que estão atrás do balcão, como o senhor do quiosque da esquina, só que estes estão a vender produtos a que chamam de fármacos e a dizer algumas coisas que até nem se dá muita atenção, pois o carro está mal estacionado e o polícia que estava no cimo da avenida rapidamente se desloca para a proximidade da viatura.

Meus caros, vamos lá ver uma coisa, isto até podia ser tudo verdade, caso andássemos aqui a brincar com a saúde dos Portugueses, como muitos fazem por aí para ver mais uns euros na carteira ao final do mês, recorrendo em greves (atenção, com todo o direito dado que está inscrito na nossa constituição) e outros tipos de artimanhas que a prescrição por DCI (Denominação Comum Internacional) quis acabar, só que as excepções  A,B,C têm vindo a fazer por perdurar.

O Farmacêutico comunitário, ao contrario do que querem fazer passar e do que a maior parte da sociedade desinformada do nosso pais pensa, é um profissional altamente qualificado que dispensa medicamentos, e como especialista nos mesmos, aconselha o utente de forma a que a terapêutica seja a mais indicada para o caso do mesmo.

O papel do Farmacêutico é apoiar o paciente na construção do seu próprio conhecimento e de atitudes com vista ao uso dos seus medicamentos de forma responsável e consciente de todos os riscos/benefícios que os fármacos podem representar. O Farmacêutico orienta o utente para o uso correto dos fármacos que foram prescritos e os que não foram prescritos, tendo como objetivo fucral melhorar os efeitos terapêuticos e diminuir a probabilidade de aparecimento dos indesejados efeitos adversos e toxicidade. Este tem também um papel importante na passagem de informação sobre cuidados de saúde e higiene de modo a prevenir potenciais complicações e doenças e/ou melhorar o estado geral do utente.

Este é apenas um pequeno resumo do que o Sr. Caixinhas, quer dizer, o Dr. Zé da Farmácia tráz de bom para a saúde dos portugueses, e sem dúvida que me sinto à vontade para dizer que é talvez a peça central do puzzle da qualidade de saúde em Portugal e que sem ele o tão complexo puzzle não se poderá completar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Papel Farmacêutico #2

por Luís Fernandes, em 17.09.15

Carreira Farmacêutica

 

 A profissão farmacêutica tem vindo a tentar adaptar-se às mudanças que têm ocorrido no setor. De forma a formalizar essas mudanças, bem como clarificar perante a sociedade portuguesa e todos os profissionais de saúde, temos lutado pela oficialização da carreira farmacêutica como uma especialidade na área da saúde ao nível do setor público. Quando digo temos, estou-me a referir à presente realidade de alguns dos nossos colegas que já terminaram, mas também e não menos importante à realidade futura que todos nós um dia iremos abraçar. É com desagrado que tenho observado que o setor público não tem sido ao longo dos últimos anos um sector de oportunidades para os Farmacêuticos, como a denotada necessidade destes profissionais no Sistema Nacional de Saúde (SNS) o deveria exigir.

Bem sei as dificuldades que o país atravessa, contudo considero que não é na saúde que se deve poupar, a palavra de ordem a adoptar deveria ser racionalizar e o objetivo máximo acabar com os desperdícios.

Questiona-se muito o que os Farmacêuticos fizeram para ajudar o país neste período complicado, pois é meus caros, foi esta profissão que mais lutou para que, mesmo com fracos recursos, a saúde dos portugueses estivesse sempre em primeiro lugar e não o fator monetário. A maior poupança na saúde dos portugueses foi feita ao nível dos medicamentos. Os Farmacêuticos têm sido os principais impulsionadores da entrada dos medicamentos genéricos no quotidiano dos portugueses, com claras poupanças para os utentes e com a melhor razão eficácia/preço, sendo nós os especialistas no medicamento podemos sem dúvida atestar. Outros exemplos que posso acrescentar são que mesmo em situações de profundas dificuldades das farmácias comunitárias, os farmacêuticos continuam a ser os profissionais que prestam cuidados de saúde e aconselhamento de forma gratuita, sem distinções, quer seja utente do setor público, quer seja do setor privado; Campanhas de troca de seringas continuam pelo país fora, sem que haja qualquer benefício monetário para os farmacêuticos, mas sim para a saúde pública de Portugal.

Voltando ao tema principal e depois de já estarem consciencializados para tudo o que estes profissionais têm feito pelo país, é com agrado que vejo que está em consulta pública um diploma que formaliza a Carreira Farmacêutica e como podem ver num excerto da carta enviada pela Ordem dos Farmacêuticos como contributo para esta matéria, temos inúmeros argumentos a nosso favor: "as características específicas dos farmacêuticos, enquanto profissionais de saúde, e as competências atribuídas pelo Estado à Ordem dos Farmacêuticos justificam, por si só, a individualização da intervenção farmacêutica em carreira própria e distinta, que permita a efectiva autonomia técnica e deontológica e a devida valorização das áreas de intervenção farmacêutica no SNS, conforme constam do Acto Farmacêutico e de regulação pela Ordem, no âmbito da delegação de poderes conferidos pelo Estado, e que estão versados nos Diplomas que se encontram em auscultação pública sobre esta matéria".

Aguardo com algum optimismo a aprovação do diploma e que seja este um importante contributo para o reconhecimento dos Farmacêuticos e do seu papel.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Papel farmacêutico #1

por Luís Fernandes, em 21.05.15

                                                                    papel.jpg

Farmacêutico ou farmacêutico, a reconquista da valorização profissional

 

Como é do conhecimento geral, um dos problemas que a profissão farmacêutica tem vindo a atravessar prende-se por alguma falta de valorização profissional que os detentores do título de Farmacêutico sentem no quotidiano.

Como estudantes de Ciências Farmacêuticas, considero que devemos estar atentos aos problemas que a profissão atravessa uma vez que, em breve, seremos também nós profissionais e, quem sabe, padeceremos dos mesmos problemas.

Posto isto, há algum tempo que tenho vindo a acompanhar o crescimento de um movimento, criado por um grupo de Farmacêuticos independentes que deu origem a um manifesto que tem como slogan principal “Exija um Farmacêutico” e apresenta, como objetivo máximo, a luta pela valorização da profissão farmacêutica, entre outros, não menos importantes. Este manifesto pode ser apoiado, quer por Farmacêuticos, quer pela sociedade civil, pelo que, para isso, basta subscrever o manifesto.

Ao entrar em contacto com a equipa de coordenadores, a quem desde já agradeço a disponibilidade, esta fez questão de passar a mensagem de que esta luta é de todos os Farmacêuticos, dos mais diferentes ramos da profissão. Estes deixaram bem ciente que o que enobrece a profissão farmacêutica é a ética e o profissionalismo e, não, o local onde se exerce a atividade profissional. Frisando que os Farmacêuticos são a autoridade, no que diz respeito ao medicamento, e o conhecimento não se confina ao local específico onde estes profissionais desempenham a sua atividade.

Segundo a equipa MeuFarmacêutico, a classe tem-se unido a esta causa, estando esta mesma equipa muito satisfeita com o feedback positivo que tem chegado dos mais diversos locais, incluindo de colegas que exercem no estrangeiro. Denota-se, neste grupo de Farmacêuticos, uma enorme força de vontade em continuar com a luta pela valorização da profissão, luta esta que, segundo eles, ainda agora começou. Em suma, considero que a defesa da profissão é um dever de todos e parte muito de nós, futuros Farmacêuticos, lutar desde cedo pela valorização da nossa profissão.

Deixo-vos com mais uma das frases carismáticas do MeuFarmacêutico e não se esqueçam de subscrever o manifesto em www.meufarmaceutico.com, onde poderão acompanhar de perto todas as iniciativas.

“Pela sua saúde, exija um Farmacêutico!”

 

Luís Fernandes

Autoria e outros dados (tags, etc)





Arquivo NC

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D