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MATRAZ ENTORNADO #5

por Ana Oliveira, em 05.10.15

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Mudam-se os tempos mas não se mudam as vontades

No outro dia apercebi-me de um facto extraordinariamente curioso (e assustador) acerca de nós, alunos de Ciências Farmacêuticas. Acontece que a nossa evolução entre o 1º e o 5º ano do MICF tem bastantes pontos em comum com o crescimento de uma criança entre o seu 1º e 5º ano de vida. Ora atentem.

“É por volta do 1 ano que os bebés começam a caminhar sozinhos.”

Quando as crianças começam a caminhar sem a mão dos papás é que se apercebem da existência de um mundo para além da alcofa. Acho que posso afirmar, sem causar grande alarido, que um aluno do primeiro ano tem, por vezes, comportamentos idênticos aos de uma criança de um ano: necessidade de dormir a sesta depois de almoço (sobretudo em certas aulas que opto por não especificar), chorar quando são contrariados (ou quando vêm um 5 na pauta de Biocel… ou de Física Aplicada… ou de Química Orgânica I…), precisar de vigilância permanente (sob o risco de partir uma lâmina no microscópio, entornar um matraz ou perder um agitador magnético no ralo do lavatório) e adorar que os “adultos” lhes dêem atenção.

“Entre 1 ano e meio e os 2 anos ganham a capacidade de correr e subir degraus.”

É no segundo semestre do primeiro ano que começam a aparecer as escadas, ou melhor, escadarias, do curso: Química Orgânica II diz-vos alguma coisa? Quem por lá passou sabe que naquela época de exames ou aprendes a correr e a subir, ou então começas a ficar (com elas) para trás.

“Aos 2 anos, as crianças começam a brincar ao faz de conta.”

Sim, no segundo ano andamos a brincar aos farmacêuticos: aparece a primeira tecnologia farmacêutica, fitoquímica e farmacognosia, química farmacêutica I … Acabamos o segundo ano a achar que contribuiu imenso para sermos os mestres do medicamento. No fundo, no fim do curso, o que nos vamos lembrar deste semestre é de nomes comoChondrus crispus, Drosera rotundifolia e Cynara scolymus (aos quais não vamos conseguir associar absolutamente nada para além da cor do cartão onde estava).

“Entre os 2 e os 3 anos os bebés podem estar prontos, gradualmente, para deixar a fralda.”

A maioria de nós não tem noção do quão desafiante pode ser tirar a fralda a um bebé, mas todos sabemos o desafio que é passar sobretudo o segundo semestre do segundo ano e o primeiro semestre do terceiro. Entre o segundo e o terceiro ano dá-se a viragem: as coisas começam a ficar interessantes mas pode demorar até conseguirmos deixar a fralda.

“Entre os 3 e os 4 anos a criança aprende a vestir-se, mas com auxílio.”

É no terceiro ano que começamos a ganhar algum poder de opção nas coisas. Começamos a ter que escolher cadeiras complementares, os estágios extracurriculares passam a fazer parte das “férias” da maioria das pessoas. Ficamos por nossa conta, mas precisamos sempre daquele aluno mais velho que nos diz qual é o melhor sítio para estagiar e a melhor complementar a escolher, caso contrário, pode acontecer calçarmos o sapato no pé errado.

 “Entre os 4 e os 5 anos o comportamento da criança é maioritariamente egocêntrico.”

A partir do 4º ano é vê-los a correr para os congressos, seminários e workshops. Desde a vinicultura ao estudo e análise de azeites vegetais, tudo passa a contar para “pontuar” no “percurso vitalício”.

“A partir dos 6 anos as crianças desenvolvem a linguagem e começam a pensar com lógica.”

É a cereja no topo do bolo, eu sei.

 

Nota do editor: Esta crónica foi escrita por uma aluna de 5 anos, perdão, do 5º ano. Prevê-se que a capacidade lógica chegue no próximo ano.

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MATRAZ ENTORNADO #3

por Ana Oliveira, em 21.09.15

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 Back to the Future FFUP

 

A partir do próximo ano letivo, o ingresso no curso de Ciências Farmacêuticas na FFUP vai obrigar ao cumprimento de um novo pré-requisito por parte dos candidatos. De momento estes apenas estavam sujeitos ao pré-requisito do Grupo B-Comunicação Interpessoal, no entanto, uma vez que a necessidade aguça o engenho, será criado um novo grupo de pré-requisitos, o grupo W – Capacidade de Bipartição.

A  criação deste pré-requisito surgiu aquando do concurso de horários. Quem conhece o sigarra sabe perfeitamente que é uma plataforma que anda de tal forma à frente no tempo que por vezes é difícil apanhá-lo (a funcionar). Numa das viagens do sigarra ao século XXIII, este regressou programado para aceitar a omnipresença como uma capacidade normal do ser humano. Assim, a existência de alunos com duas aulas precisamente no mesmo dia da semana e à mesma hora passaram a ser vistas por ele como uma das maravilhas da evolução e da multiplicação das espécies. Nós, comuns mortais do século XXI e pessoas da ciência, sabemos perfeitamente que a omnipresença é ainda impossível nos nossos dias. Este facto explica o porquê dos alunos com aulas sobrepostas desencadearem tamanha turbulência interna capaz de levar a uma sobrecarga da linha telefónica do Serviço de Gestão Académica e Expediente em pleno mês de Agosto. Está relatada também, por volta da mesma altura, uma chuva de notificações nos grupos de facebook dos variados anos curriculares com o típico “Alguém da turma x quer trocar para a turma y?”.

Acontece que na Faculdade de Farmácia da UP a utilização de culturas celulares é uma prática mais que comum. Por este motivo, pensou-se que seria conveniente que apenas ingressassem no MICF estudantes que, tal como células, tivessem a capacidade de se dividir e dar origem a dois organismos geneticamente idênticos. Imaginemos que a Maria é uma das novas alunas que cumpre este pré-requisito. Pois a verdade é que a Maria passaria a poder ir à aula teórica obrigatória de Biomatrizes às 11h na quarta-feira e  também passaria a poder ir à aula de prática de Farmácia Industrial às 11h, surpreendam-se, na quarta-feira. Para além disso, a capacidade de bipartição iria agilizar o funcionamento do bar: enquanto a Maria estava na fila para comprar a senha, a Maria já poderia estar no bar pronta para receber a sandes de delícias e, entretanto, a Maria já estava a arranjar lugar para almoçar. Uma vez farmacêutica, a Maria seria capaz de ir buscar o paracetamol à gaveta do P e, em simultâneo, o ibuprofeno à gaveta do I, tornando o atendimento muito mais rápido. Com a criação deste tipo de pré-requisito prevê-se um aumento exponencial da taxa de empregabilidade do curso de Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto: qual seria a indústria farmacêutica que não iria querer contratar uma Maria Farmacêutica com capacidade para monitorizar o processo de fabrico de comprimidos revestidos e, em simultâneo, fazer controlo do produto acabado?

Para mais informações, contactem-nos, mas um de cada vez.

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Matraz Entornado #2

por Diana Reis da Cunha, em 14.09.15

Run, Forrest, Run!

 

Cá vamos nós outra vez. Ainda ontem os marcadores fluorescentes eram a única fonte de cor dos nossos dias e já estamos de volta. E depois deles, as férias de verão fizeram uma competição com o Usain Bolt, mal as vimos passar. Mas há que ver sempre o lado positivo. Confessem lá, já tinham saudades de estar duas horas na secretaria inundada de caloiros com ar perdido só para ter um carimbo num papel, 10 minutos a espera de um elevador  e 40 minutos na fila do bar. Afinal, as teorias de alguns de que tirar um curso é uma perda de tempo até têm um fundo de verdade, não são é argumentadas da melhor forma. Um mestre das teorias da conspiração diria que nada disto é aleatório, tem o propósito de nos habituar aos tempos de espera. Quem nunca disse mal da sua vida depois de encontrar os malfadados tempos de espera no meio daquele protocolo pequenino que já estava a sugerir que a aula ia acabar mais cedo? Isso é mesmo chato, principalmente se for na última aula do dia.

Bem, para todos aqueles que estão a sofrer de "depressão pós-férias", aproveitam a época de festas que se avizinha para curá-la. Mas cuidado com as aulas a que decidem aparecer na manhã seguinte. Um pequeno descuido e... está o matraz entornado!

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MATRAZ ENTORNADO #1

por Ana Oliveira, em 25.05.15

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Brace yourselves “a época dos marcadores fluorescentes” is coming!

 

Vem aí Junho, finalmente faz bom tempo! Os pavões começam a ser um elemento habitual da paisagem no Complexo FFUP/ICBAS, para além disso podemos estar tranquilamente nas instalações da nossa mui nobre faculdade sem aquele receio de que nos caia uma pinga na testa a qualquer momento e as filas dos micro-ondas diminuem ligeiramente com a chegada das saladas frias. A acompanhar esta panóplia de bons acontecimentos, com a chegada de Junho chega também um evento sazonal que, de forma a não gerar ansiedade em pessoas mais sensíveis, chamar-lhe-emos “época dos marcadores fluorescentes”. Os primeiros sinais e sintomas do início desta época sentem-se algumas semanas antes da sua instalação. Estes passam por um prurido irremediável, que ocorre quando se chega à sala de estudo à hora do costume e já não se consegue arranjar nem meio centímetro quadrado de mesa para pousar um polegar. O prurido poderá ser acompanhado de alguma taquicardia sempre que se entra na biblioteca e o simples movimento de pés habitual, vulgarmente chamado de “caminhar, andar ou percorrer”, é o suficiente para despoletar um convicto e imediato “xiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuu!”. Para a maioria dos estudantes, à manifestação destes sintomas, a primeira coisa que lhes ocorre é pegar numa folha de rascunho e começar a fazer um plano de organização do “uso de marcadores fluorescentes”. Associado à elaboração deste plano, está reportado que 78 em cada 109 casos se queixam de uma sensação chamada de “devia ter ido às aulas teóricas”.

 

Entre as corridas ao lugar na biblioteca e as estafetas de passagem de apontamentos, cria-se na FFUP um ambiente melhor que as Ilhas Galápagos para o estudo da seleção natural. Quando se dá por ela, a “época dos marcadores fluorescentes” já começou e 109 em cada 109 estudantes está-se a queixar que, porventura, terá sido demasiado ambicioso quando achou que 7 horas de sono, 2 horas para refeições e 2 horas de pausas de “uso de marcadores fluorescentes” seriam o mais indicado na elaboração do seu plano inicial. É aqui que surge uma espécie de triatlo, quais jogos olímpicos, que começa com uma prova de salto da cama às 7h da manhã, seguida de corrida até à máquina de café e que acaba com uma “marcha com essa matéria toda o mais rápido possível que o exame é já amanhã!”.

 

Esta época tem o efeito do solstício do Verão até no Inverno: dias grandes e noites pequenas. No ontem fica o sentimento de culpa por não ter “usado marcadores fluorescentes suficientes”, no hoje um ponto de saturação tal que daria para formar cristais sem recorrer sequer à vareta de vidro, e no amanhã uma esperança imensa do rendimento ser maior. É uma época bonita, esta dos “marcadores fluorescentes”, uns despacham-na no tempo previsto, outros são despachados por ela.

 

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