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Fungagá de Almofarizes #12 - Tempo

por Sofia Fonte, em 04.10.15

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A velocidade furiosa de um carro

Passa por nós como um TGV

É como a luz de um relâmpago

Que não se ouve, mas que se vê

 

Ponteiros incessantes e severos

Do bater de um relógio exigente

Que marca os dias e sente as noites

Que é passado…e logo presente

 

É longo no triste fado

Fugaz nos apaixonados

É subjetividade de um quadro

Pintado com os nossos dados

 

Num dia és hoje presente

De um amanhã não sei de quê

Oh tempo, porque não páras

Tens tanta pressa porquê?

 

Ladrão das minhas memórias

Protagonista de tantas surpresas

És o meu criador de histórias

Que me leva e traz certezas

 

Já sopram as doze badaladas

Desta cinderela desprevenida

Mas não fujo, nem me transformo

Apenas vou viver a vida!

 

Sofia Fonte

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fungagá de Almofarizes #11 - Recomeços

por Sofia Fonte, em 22.05.15

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Recomeçar é, no dicionário português, “começar de novo, refazer depois de interrupção, retornar a fazer alguma coisa”... Recomeçar, no meu dicionário mental, é tentar de novo, mas com mais lucidez, mais coragem e mais experiência. O “voltar a fazer” é exigente. Os erros cometidos repetidamente começam a transformar-se em opções pessoais e, por isso mesmo, quando nos comprometemos a fazer algo outra vez, temos de acreditar que conseguimos fazer melhor. E quando dizem que começar é o mais difícil, acredito que o recomeçar seja duplamente desafiante.

Recomeçar não é uma folha em branco. Isso seria demasiado fácil. Recomeçar é ter a capacidade de pegar numa folha rabiscada e mudá-la de uma forma tão inesperada que ninguém teria a capacidade de adivinhar qual foi a base de partida. Tive uma professora de Educação Visual que não deixava os alunos apagarem uma única linha dos desenhos. A borracha era proibida, pois, segundo ela, todas as linhas fazem parte do processo criativo e, se traçamos uma linha, temos que aproveitar para a transformar em alguma coisa. As linhas e os rascunhos são intimamente nossos, pois alguém pode ter um desenho da “Cabra de Picasso” parecido com o meu, mas jamais o terá concretizado da mesma forma.

O destino é assim e, tanto nos desenhos como na vida, temos de ser fiéis às nossas escolhas e ter a capacidade de continuar uma coisa que iniciamos, sem apagar, sem remendar, sem ter medo de arriscar. As borrachas são uma barreira para a criatividade, mas temos que ter cuidado para não carregar demasiado no lápis. Temos que aprender a confiar nas nossas ideias e nos rabiscos do dia-a-dia. E apesar de a novidade ter o sabor doce do desconhecido, nunca podemos deixar passar, em vão, por nós, aquilo que poderia ter sido o início de uma verdadeira obra-prima.

 

“Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!


Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.”

Miguel Torga

 

 

 

 

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