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Borboleteando #1

por NCAEFFUP, em 10.04.16

Receio (s.m., 1ª pess. sing. pres. ind. de recear):

Na primeira página, um pequeno barco no mar branco do papel: “Errando discitur” (aprendemos com os erros). Releio a frase até a mastigação a transformar num conjunto de vocábulos sem significado e a ansiedade ficar reduzida a uma memória. Resignada, viro a página, pego na caneta e começo a organizar os apontamentos. O processo não dura muito tempo, uma urgência cresce nas palavras e, quando me apercebo, estou a contemplar a parede.

Aprendemos com os erros, recordo-me. Tento que o significado se entranhe em mim, contudo, nada se altera – a parede continua cinzenta, o quadro acumula pó há semanas e as notas amareleceram na esperança de serem marcadas como concluídas. O receio de falhar amputa-me a motivação. Quantas vezes as palavras certas, mesmo na ponta da língua, não pertenceram a outra pessoa e me limitei a acenar em acordo? Quantas oportunidades se perderam deste modo? Quantas vitórias? Sempre o receio, esse veneno autoinfligido, espalhado pelos tecidos e paralisando os membros.

Respiro fundo, levanto-me e caminho até à cozinha. Retorno à secretária cinco minutos depois, com uma chávena a fumegar. Quando me sento, contemplo a página com meia dúzia de linhas completas e atravessa-me o pensamento um lugar-comum, que me instiga a fazer, todos os dias, algo que receio. Parece idiota, mas quando voltei a pegar na caneta, terminei dois dos três capítulos em espera.

- N

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