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MATRAZ ENTORNADO #1

por Ana Oliveira, em 25.05.15

Matraz entornado.jpg

Brace yourselves “a época dos marcadores fluorescentes” is coming!

 

Vem aí Junho, finalmente faz bom tempo! Os pavões começam a ser um elemento habitual da paisagem no Complexo FFUP/ICBAS, para além disso podemos estar tranquilamente nas instalações da nossa mui nobre faculdade sem aquele receio de que nos caia uma pinga na testa a qualquer momento e as filas dos micro-ondas diminuem ligeiramente com a chegada das saladas frias. A acompanhar esta panóplia de bons acontecimentos, com a chegada de Junho chega também um evento sazonal que, de forma a não gerar ansiedade em pessoas mais sensíveis, chamar-lhe-emos “época dos marcadores fluorescentes”. Os primeiros sinais e sintomas do início desta época sentem-se algumas semanas antes da sua instalação. Estes passam por um prurido irremediável, que ocorre quando se chega à sala de estudo à hora do costume e já não se consegue arranjar nem meio centímetro quadrado de mesa para pousar um polegar. O prurido poderá ser acompanhado de alguma taquicardia sempre que se entra na biblioteca e o simples movimento de pés habitual, vulgarmente chamado de “caminhar, andar ou percorrer”, é o suficiente para despoletar um convicto e imediato “xiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuu!”. Para a maioria dos estudantes, à manifestação destes sintomas, a primeira coisa que lhes ocorre é pegar numa folha de rascunho e começar a fazer um plano de organização do “uso de marcadores fluorescentes”. Associado à elaboração deste plano, está reportado que 78 em cada 109 casos se queixam de uma sensação chamada de “devia ter ido às aulas teóricas”.

 

Entre as corridas ao lugar na biblioteca e as estafetas de passagem de apontamentos, cria-se na FFUP um ambiente melhor que as Ilhas Galápagos para o estudo da seleção natural. Quando se dá por ela, a “época dos marcadores fluorescentes” já começou e 109 em cada 109 estudantes está-se a queixar que, porventura, terá sido demasiado ambicioso quando achou que 7 horas de sono, 2 horas para refeições e 2 horas de pausas de “uso de marcadores fluorescentes” seriam o mais indicado na elaboração do seu plano inicial. É aqui que surge uma espécie de triatlo, quais jogos olímpicos, que começa com uma prova de salto da cama às 7h da manhã, seguida de corrida até à máquina de café e que acaba com uma “marcha com essa matéria toda o mais rápido possível que o exame é já amanhã!”.

 

Esta época tem o efeito do solstício do Verão até no Inverno: dias grandes e noites pequenas. No ontem fica o sentimento de culpa por não ter “usado marcadores fluorescentes suficientes”, no hoje um ponto de saturação tal que daria para formar cristais sem recorrer sequer à vareta de vidro, e no amanhã uma esperança imensa do rendimento ser maior. É uma época bonita, esta dos “marcadores fluorescentes”, uns despacham-na no tempo previsto, outros são despachados por ela.

 

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