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Magazine Cultural #10

por NCAEFFUP, em 25.11.15

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Categoria: Cinema

O Escafandro e a Borboleta (2007)

Realizador: Julian Schnabel

Classificação do NC: 8/10

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Quando visualizei pela primeira vez o trailer de “O Escafandro e a Borboleta” (“Le scaphandre et le papillon”), um filme francês, não me despertou grande interesse. No entanto, reconheci que o realizador (Julian Schnabel) havia recorrido a ângulos de câmara bastante atraentes e inovadores. Mais tarde li acerca da história e resolvi conceder uma chance ao filme. E ainda bem que o fiz.

“O Escafandro e a Borboleta” é um filme sobre a vida de Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), um editor popular da revista de moda francesa "Elle" que, aos 43 anos de idade, sofre um acidente vascular cerebral que o deixa completamente imóvel e incapaz de falar. Um dos seus poucos músculos funcionais é o seu olho esquerdo. Posteriormente Bauby escreve a sua história utilizando uma sequência específica de letras projetadas para que pudesse piscar o olho como forma de comunicar e ser responsável por cada palavra da sua comovente biografia.

O que torna este filme tão singular é que Julian Schnabel coloca o espectador na mente e alma do personagem ao oferecer-lhe somente a perspetiva do olho esquerdo de Bauby, durante cerca de 2 horas. E o mais impressionante é que o faz artisticamente gerando uma cinematografia brilhante. Muito recomendado.

Samuel Oliveira

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Papel Farmacêutico #6

por Luís Fernandes, em 23.11.15

Papel do Farmacêutico no controlo dos psicotrópicos em Portugal

 

Antes de abordar o tema dos psicotrópicos em Portugal de forma mais pessoal, importa contextualizar-te para o tema. Estes medicamentos segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) “são os que agem no Sistema Nervoso Central, produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, possuindo grande propriedade reforçadora sendo, portanto, passíveis de auto-administração". Em outras palavras, estes medicamentos levam à dependência.


Depois de perceberes o conceito de medicamento psicotrópico, creio que já percebeste que tanto a prescrição (por parte dos Médicos) assim como a dispensa (por parte dos Farmacêuticos) não pode ser feita de ânimo leve e deve seguir um conjunto de normas rigorosas que têm como objetivo final, a utilização destas substâncias ativas de forma segura.
O Farmacêutico como especialista no medicamento tem como dever deontológico aconselhar e prevenir possíveis erros de prescrição no âmbito dos psicotrópicos, assim como em situações de auto-medicação por parte do utente, ser pró-ativo na tentativa de o demover a usar estes mesmos medicamentos de forma autónoma e descontrolada.


No circuito dos medicamentos em geral e nos psicotrópicos com um cuidado especial, o Farmacêutico é o responsável pela Análise Farmacoterapêutica da prescrição (doses, frequência de administração, interações farmacoterapêuticas e vias de administração) outro contributo importante que o Farmacêutico dá, é o facto de contribuir para a deteção e notificação de quaisquer reações adversas que possam surgir da utilização destes fármacos, assim como de todos os outros é claro. Por esta razão considero de extrema importância a incorporação do Farmacêutico na visita médica a nível hospitalar (já acontece em alguns hospitais), uma vez que só assim é possível dotar o profissional de um conhecimento mais alargado acerca do doente, peça fundamental aquando a validação da prescrição médica.


É do conhecimento geral que a utilização irresponsável deste tipo de fármacos é prática comum no nosso país e na atual conjuntura económica esse mesmo uso tem vindo a aumentar constantemente, por esta razão considero que há muito a fazer nesta área, embora tenhamos assistido a inúmeros esforços por parte da “nossa” classe, nomeadamente as diversas campanhas de sensibilização para o uso responsável do medicamento que têm sido divulgadas pelos meios de comunicação.


Em suma, e agora em tom de desabafo para a meia dúzia de indivíduos que poderão ter perdido alguns minutos a ler esta crónica, afirmo com toda a convicção que à medida que aprofundo o conhecimento sobre Profissão Farmacêutica, mais envolvido fico. E considero que o futuro, para nós estudantes de Ciências Farmacêuticas em Portugal poderá ser muito difícil mas também muito promissor, porque se cumprirmos o nosso papel com gosto, acreditem que podemos marcar a diferença pela positiva na área da saúde.

 

“Pelo uso responsável do medicamento”

 

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Crónica #7

por Samuel Oliveira, em 20.11.15

O fracasso do proibicionismo

 

Hoje, tendo como pano de fundo o X Congresso Científico AEFFUP subordinado ao tema Neurociência: Um Olhar Através do Cérebro, decidi trazer-vos um tópico que me parece ajustado ao Congresso e que reparte bastantes pareceres.

A política sobre a droga está a mudar e está a mudar em todo o mundo. São já 23 os Estados norte americanos que legalizaram a aquisição e a posse de canábis. O Uruguai legalizou o auto-cultivo para consumo próprio e aprovou uma lei que enquadra os clubes sociais de canábis. Em janeiro do presente ano, o estado espanhol reconheceu cerca de 400 clubes sociais de canábis. Esta transformação tem razões objetivas. Há cada vez mais gente que reconhece que o proibicionismo falhou. São cada vez mais as vozes ponderadas contra o proibicionismo oriundas de todos os quadrantes políticos. Jorge Sampaio e Kofi Anann dirigiram um apelo para que os governos prossigam com modelos de regulação legal das drogas. A Organização das Nações Unidas (ONU) referiu, no seu relatório de 2014, que o combate contra as drogas fora um desastre e que jamais o tráfico de droga fora tão rentável.

Agora, solicito a todos e todas que se dispuseram a ler esta crónica que deixem a hipocrisia de lado por uns instantes. Uma porção significativa da população mundial consome este tipo de substâncias pelas mais variadas razões, sejam elas culturais, terapêuticas ou recreativas. No entanto, a cocaína, canábis ou heroína, muitas vezes utilizadas na produção de fármacos utilizados no tratamento de várias doenças, estão habitualmente associadas a atos ilícitos.

No caso de Portugal, no início do milénio assistiu-se à implementação de medidas que previam a despenalização do consumo de todas as drogas que foram consideradas exemplares para muitos outros países. Pela primeira vez, o dilema associado ao consumo de drogas na sociedade portuguesa foi encarado como um problema de saúde pública e analisado como tal, em vez de se perpetuar a situação como algo criminoso e, consequentemente, propagar a marginalidade e o desconhecimento geral. Mas este avanço deixou um paradoxo na lei: não é crime consumir, mas é crime ter uma planta em casa para consumo próprio e é crime adquirir.

Além disso, a aplicação de políticas repressivas é bastante dispendiosa e coloca em causa questões de liberdade individual e valores democráticos, tendo um impacto deveras limitado e questionável nos padrões de consumo.

Pelos motivos referidos é importantíssimo que o tema da legalização da canábis seja debatido de forma séria em Portugal, não só por razões económicas e de saúde pública, mas também, para afastar os consumidores dos circuitos clandestinos, retirar mercado aos traficantes, assegurar uma maior segurança no ato de compra, venda e consumo, controlar a qualidade das substâncias consumidas e promover a informação, educação e prevenção ao criar normas rigorosas onde hoje são inexistentes.

Proibir nunca foi forma de combater algo. Ou foi? Continuação de um Congresso produtivo!

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Magazine Cultural #9

por NCAEFFUP, em 19.11.15

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Categoria: Cinema
Trainspotting (1996)
Realizador: Danny Boyle
Classificação do NC: 8/10

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Em 1996, John Hodge adaptou o romance "Trainspotting" escrito pelo escocês Irvine Welsh e, com a realização de Danny Boyle, criou um dos clássicos do cinema britânico que, muitas vezes, é considerado um dos melhores filmes dos anos 90.

Neste filme, o termo "trainspotting" pode adotar dois significados: na gíria do Reino Unido, corresponde ao ato de procurar uma veia para injetar uma droga; ou a situação que não é retratada no filme, em que dois dos personagens se dirigem a uma estação de comboios desativada para adquirir drogas e afirmam que vão "trainspotting".
Ewan McGregor brilha como Mark Renton, numa prestação que o colocou no centro de todas as atenções, ao dar vida a um homem que passa grande parte do seu tempo a consumir drogas com os amigos. O filme demonstra na perfeição os distúrbios que Renton experimenta ao tentar construir uma nova vida. Para além disso, Renton tem que lutar diariamente contra as influências dos seus companheiros Sick Boy (Jonny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Francis Begbie (Robert Carlyle).
As cores vibrantes são usadas para exacerbar as ações e intensificar a imagem na tela, criando um colossal impacto sobre o espectador. A trilha sonora é composta por músicas associadas à cultura pop com as quais os próprios personagens se identificam, ajudando a captar perfeitamente a época.
A realização elegante de Danny Boyle é o que torna o filme tão fascinante e, apesar do tema ousado, foi bastante bem recebido pela crítica e pelo público em geral. No entanto, ainda hoje as opiniões se dividem se este é um filme que incentiva o consumo de drogas ou um filme anti-drogas. De certa forma, acaba por contemplar ambas as posições.
Somos guiados através do filme pela narração de Renton, numa visualização extremamente intensa, mas irresistível ao ponto de a querermos experienciar diversas vezes. Um filme triunfante.
Samuel Oliveira

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Magazine Cultural #8

por NCAEFFUP, em 05.11.15

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Categoria: Literatura

"Alá Não é Obrigado” de Ahmadou Kourouma
Classificação do NC: 8/10

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Ainda hoje existem meninos e meninas largados à sua mercê que, órfãos de família e de valores, são integrados em exércitos e obrigados a combater pelos motivos mais desoladores. A veracidade desta afirmação inspirou Ahmadou Kourouma a escrever "Alá Não é Obrigado”, um livro impetuoso sobre deslealdade, morte, tortura e mutilação, que nos conta a comovente história de Birahima, uma criança-soldado de “dez ou doze anos”, que, após presenciar a morte de sua mãe, abandona a sua pequena aldeia à procura da tia.
Para tal, este órfão terá que enfrentar exércitos de guerrilheiros, cujos líderes constituem um vastíssimo leque de personagens. A partir de certo ponto, o próprio Birahima não é inocente nem culpado: torna-se o fruto que apenas uma existência demarcada pela violência extrema pode gerar. No entanto, apesar de Birahima ainda ser capaz de conceber a distinção entre o bem e o mal, as suas inquietações prendem-se com questões tão elementares como sobreviver, alimentar-se e, acima de tudo, impedir que seja assassinado.
Em suma, o autor descreve uma realidade aterradora decorrida entre a Costa do Marfim, a Serra Leoa e a Libéria, pela voz inesquecível de uma simples criança, recorrendo a uma linguagem bastante original. Recomendo vivamente!
Samuel Oliveira

 

 

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