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Crónica #6

por Samuel Oliveira, em 30.10.15

O numerus clausus é um dos métodos utilizados para limitar o número de estudantes que podem cursar numa determinada Universidade. Confesso que é um conceito que sempre me causou algum desconforto, uma vez que considero que os estudantes deveriam ser selecionados pela sua capacidade formativa e integridade humanística, e não por uma premissa meramente numérica que, em muitas das ocasiões, favorece um agregado elitista.

Mas, vejamos:

António Gentil Martins liderou várias intervenções cirúrgicas de separação de gémeos siameses. Terminou o curso secundário no liceu normal de Pedro Nunes com média de 16 valores.

Egas Moniz cursou os estudos liceais no Colégio de S. Fiel dos Jesuítas e os últimos anos no liceu de Viseu, tendo terminado com média de 12 valores. Foi galardoado com o Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia em 1949, pelo seu contributo no progresso do tratamento de doenças mentais.

Sendo assim, fica demonstrado que o numerus clausus é uma conceção que, para além de questionável em diversos aspetos, chega a ser desumana. Mais se confirma que, em países em que a seleção de estudantes é realizada por outras vias, não existem casos de negligência reportados que possam estar diretamente relacionados com a média de ingresso do sujeito em questão. 

O essencial para estudar no Ensino Superior é comum a todas as áreas: entusiasmo e empenho, e não uma pauta excelente. Ou será excelência vedar a ambição de um estudante?

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Papel Farmacêutico #5

por Luís Fernandes, em 29.10.15

Congresso Nacional dos Farmacêuticos 2015 : A reflexão de um estudante

 

Na rubrica Papel Farmacêutico desta semana irei dar destaque ao evento que irá decorrer entre os dias 29 e 31 de outubro, que como a maioria de vocês já sabe é o Congresso Nacional dos Farmacêuticos, evento este a que infelizmente não poderei comparecer.

Devido a este facto, senti a necessidade de dar a conhecer pelo menos a minha opinião sobre os temas gerais que compõe o congresso e espero com esta crónica despertar o interesse para os mesmos, daqueles que não poderão assim como eu comparecer, mas também daqueles que irão lá estar.

Depois de uma consulta atenta no microsite do congresso, decidi que abordar numa só crónica todos os temas que nele vão ser tratados seria uma tarefa impossível para o formato desta rubrica, pelo que irei, nesta pequena reflexão apenas me restringir ao tema mais abrangente e que será o mote para todos os outros conteúdos do congresso.
Posto isto, farei, à semelhança do desafio que vos irá ser proposto nos dias 30 e 31 de outubro, uma reflexão sobre o sistema de saúde português e a relevância da intervenção profissional dos mais de 14 mil farmacêuticos portugueses em prol dos doentes e dos cidadãos em geral.

Certamente irei apresentar argumentos que já referi em crónicas anteriores, mas creio que perdoar-me-ão essa repetição e para que não desistam de ler esta crónica irei apresentar cada uma das reflexões por tópicos, deixando à vossa mercê a leitura de todos os tópicos ou de apenas aqueles que mais vou aprouver.
Sistema de saúde: Neste tópico gostaria de começar por salientar a qualidade do nosso sistema de saúde, já reconhecido por muitos como sendo dos melhores a nível mundial. Considero que este reconhecimento não foi benéfico, uma vez que temos observado nos últimos tempos a uma degradação do mesmo. Os cortes indiscriminados no sistema de saúde levaram a que mesmo com o esforço dos profissionais de saúde, se tornasse impossível a manutenção da qualidade do serviço prestado. O papel do Farmacêutico é transversal em todas as áreas que compõem o sistema de saúde e na minha opinião talvez seja este um dos profissionais mais responsáveis pela contenção do impacto que os cortes têm causado na qualidade do sistema de saúde em Portugal. Importa referir que grande parte dos cortes na saúde em Portugal foram feitos a nível dos medicamentos e mesmo a trabalhar com margens de lucro muitas vezes incomportáveis, os Farmacêuticos não deixaram de ser responsáveis e realizar o seu papel com o brio e profissionalismo a que os utentes tanto se habituaram.

Farmácia Comunitária: Neste tópico gostaria que me acompanhassem num raciocínio básico que muitos dos nossos responsáveis políticos não têm conseguido fazer, ou os lobbys não lhes têm permitido fazer. O profissional de saúde mais próximo da população é o Farmacêutico e a formação e conhecimento que este dispõe, faz com que as farmácias sejam unidades de saúde que podem responder de forma eficaz aos mais diversos desafios do quotidiano do utente, podendo integrar a rede de cuidados primários do SNS e com isto dar um importante contributo no acompanhamento dos utentes, especialmente os doentes crónicos. Por tudo isto, os desafios para os Farmacêuticos Comunitários são grandes e só com apoio público se poderá alcançar um modelo de saúde acessível a todos os utentes.

Farmácia Hospitalar: Neste contexto o Farmacêutico assume um papel muito importante, embora muitas das vezes seja um profissional sombra (não é visto no exercício na maioria das suas funções) para a maioria dos utentes. No circuito dos medicamentos a nível hospitalar, o Farmacêutico é o responsável pela validação e análise Farmacoterapêutica da prescrição (doses, frequência de administração, interacções farmacoterapêuticas e vias de administração), pela dispensa em regime de ambulatório e ainda contribui para a detecção e notificação de quaisquer reações adversas que possam surgir da utilização dos fármacos, entre muitas outras funções, não menos importantes. Por esta razão considero de extrema importância, a incorporação do Farmacêutico na visita médica a nível hospitalar em todos os hospitais, pois só assim se dota o Farmacêutico de todo o conhecimento clínico do utente para que a validação da prescrição seja feita da forma mais correta possível. Para fechar este tópico, gostaria de afirmar que é com desagrado que tenho observado que o setor público não tem sido ao longo dos últimos anos um sector de oportunidades para os Farmacêuticos, como a denotada necessidade destes profissionais no Sistema Nacional de Saúde (SNS) o deveria exigir.

Distribuição Grossista: Dentro desta área há muito a dizer acerca do papel do Farmacêutico e sem dúvida que tem sido uma área que tem colocado inúmeros desafios aos profissionais que decidiram abraçar esta área. O Farmacêutico é responsável pela permanente avaliação e manutenção da qualidade segurança e eficácia dos medicamentos comercializados ao nível da distribuição grossista, sendo por isso a peça fundamental em toda a distribuição de medicamentos e o principal responsável pela segurança dos fármacos em todo o circuito do medicamento até chegar ao utente. Sendo este um setor muito desconhecido para a maioria dos utentes, é de facto relevante dar a conhecer a importância destes profissionais e sem dúvida que é das áreas que mais contribui na minha opinião para a versatilidade da profissão farmacêutica.

Indústria Farmacêutica: Atendendo ao nome do sector seria de esperar que fosse este um dos mais apetecíveis para os Farmacêuticos e de facto é, mas nos últimos tempos têm-se verificado alguma tendência para a precariedade e esta área já não é líder na ambição do Farmacêutico recém-mestre. O papel do Farmacêutico nesta área é muito vasto e complexo, e abrange várias áreas que passarei a enumerar: produção do medicamento, garantia de qualidade, embalagem de medicamentos, elaboração e controle da documentação técnica, controle de qualidade físico-química e microbiológica, assuntos regulamentares, planeamento e controle da produção, marketing, desenvolvimento de produtos, pesquisa clínica, Farmacovigilância, distribuição e representação comercial. Dadas as inúmeras responsabilidades do Farmacêutico em todas estas atividades que fazem parte da Indústria Farmacêutica, espero que esteja para breve uma mudança no setor e espero poder assistir à dignificação de todos os profissionais que trabalham nesta área.

Análises Clínicas: Esta área é muito importante, uma vez de demostra bem que o Papel do Farmacêutico e as atividades que por este são realizadas não se restringem apenas ao âmbito do medicamento. A versatilidade da formação do Farmacêutico permite-lhe ter um papel preponderante em outras áreas, como nas Análises Clínicas. Não é ainda do conhecimento de alguns estudantes de Ciências Farmacêuticas e da sociedade em geral, que a Direção Técnica e a propriedade da maioria dos laboratórios de análises clínicas em Portugal são de Farmacêuticos. Os dados estatísticos não mentem quando afirmam que foram as Análises Clínicas que muito contribuíram para a melhoria da saúde em Portugal, com base no que disse hà pouco foram na sua maioria Farmacêuticos que contribuíram para a melhoria dos indicadores de saúde em Portugal. O papel do Farmacêutico tem sofrido adaptações ao longo do tempo nesta área, uma vez que já não são apenas quem realiza as Análises Clínicas, como são também os consultores. Foi então assim reconhecida a competência dos Farmacêuticos Especialistas em Análises Clínicas nesta área a par com os Médicos Especialistas, sendo estes profissionais a chave para a racionalização dos custos associados à saúde. Considero que as Análises Clínicas em Portugal são um setor em que se verifica um elevado grau de reconhecimento do papel do Farmacêutico, posto isto, é muito importante que este facto não se venha a alterar e que todos os profissionais desta área se juntem para manter o estatuto que conquistaram.

Análises toxicológicas, Análises ambientais, Análises de água e de alimentos: Decidi neste tópico aglomerar alguns dos principais tipos de análises que têm como responsável o Farmacêutico. E qual a razão desta aglomeração, é simples, a crónica já vai longa e tentarei ser um pouco mais sucinto neste caso, pois tratar cada uma de forma individual levaria a mais umas boas centenas de palavras. Indo direto ao assunto, o Farmacêutico é aquele que se poderá chamar o Homem dos 7 oficios (são mais) e nas Análises Toxicológicas este tem competências para desempenho profissional em centros de investigação, laboratórios de análises químico-biológicas, centros de anti-venenos, nas delegações do Instituto de Medicina Legal ou como peritos jurídico-legais. Ao nível das Análises ambientais, de água e de alimentos, o papel do Farmacêutico aparece bem vincado ao nível do controlo de qualidade bem como na aplicação de todos os conhecimentos nutricionais e de análise de alimentos que adquire ao longo da sua vasta formação. Na minha opinião, este tópico aborda áreas em que os Farmacêuticos têm vindo a perder terreno para outros profissionais que têm surgido no mercado, por isso é essencial que se tome um conjunto de medidas para voltar a recuperar, um lugar que pertence à profissão farmacêutica.

Ensino e investigação científica: É de salientar que enquanto estudantes do Mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas é com profissionais desta área que temos mais contato. Esta é sem dúvida a área que está na “moda” entre os estudantes e muitos sonham em tornar-se um dia em grandes investigadores. Posto isto, considero que o caminho passa por adequar cada vez mais o ensino às necessidades profissionais e incentivar cada vez mais projetos de investigação que promovam a inovação na profissão farmacêutica e que demostrem o elevado valor do contributo dos Farmacêuticos na saúde em geral. Por estas razões, é com preocupação que vejo os sucessivos cortes feitos nos apoios à investigação em Portugal e não posso deixar de dar os parabéns aos investigadores, que dentro do nosso país, conseguem com pouco obter resultados muito importantes para a saúde a nível mundial.

Por Fim, e para dar por terminada esta crónica, gostaria apenas de desejar a todos os que estarão presentes no Congresso Nacional dos Farmacêuticos, um bom congresso e para todos aqueles que não poderão estar presentes e perderam algum tempo a ler esta crónica espero que tenham conseguido comigo, fazer uma reflexão sobre o Farmacêutico e o seu Papel nas mais diferentes áreas de intervenção na sociedade.

 

 

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FSI #2

por NCAEFFUP, em 24.10.15

 

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Entrevista à Professora Doutora Marta Correia da Silva

"(...)quando estão apaixonados, têm muita energia para fazer muita coisa e superam todas as dificuldades. E em investigação é preciso sermos apaixonados."

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Tem um percurso profissional inspirador, uma energia contagiante e uma notória realização profissional. É uma pessoa que dificilmente se acomoda e luta por aquilo em que acredita (mesmo que por vezes até ela própria duvide disso). Todos a conhecemos como sendo a mais recente docente contratada por parte do Laboratório de Química Orgânica e Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. No entanto, é apenas do conhecimento de alguns o trabalho de investigação que a Dra. Marta Correia da Silva já realiza na nossa faculdade desde 2004. Na edição deste mês do F.S.I., o NCAEFFUP foi entrevistar a Dra. Marta, para saber um pouco mais acerca do seu trabalho e do seu percurso.

 

Poderia falar-nos de uma forma sucinta acerca da sua formação, do seu perfil enquanto estudante universitária e como ou quando soube que queria fazer investigação?

Todos os meus graus académicos, a licenciatura, o mestrado e o doutoramento, foram obtidos na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP). Enquanto estudante da licenciatura fiz parte da AEFFUP (1997/8), fiz parte do Conselho Pedagógico (1998/9) e fiz duas vezes Students Exchange Programme (SEP), um ano em Malta (2000), em Farmácia de Oficina, e outro ano no Brasil (2001), em Farmácia Hospitalar e foi-me dada a oportunidade de trabalhar em investigação no Laboratório de Química Orgânica e Farmacêutica (LQOF), no 4º ano do curso (na altura não havia a UC de Projeto), pela Professora Madalena Pinto, após a realização de uma prova oral de melhoria de nota a Química Farmacêutica, na qual tirei 19 valores. Por isso quando acabei o curso já tinha passado por vários ramos da profissão farmacêutica. Quando acabei o estágio de fim de curso, em 2003, ainda trabalhei na farmácia onde estagiei, mas depressa senti saudades de estudar (acreditem, é possível!) e regressei à faculdade. Nesse ano tentei concorrer a bolsa de Doutoramento mas não consegui, pelo que decidi inscrever-me no Mestrado em Controlo de Qualidade e pagar as propinas dando explicações de Química Orgânica I e II, unidades curriculares para as quais tive desde cedo grande apetência. Melhorei o curriculum e antes mesmo de acabar o mestrado já tinha obtido bolsa de Doutoramento pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT) para os 4 anos seguintes. O mesmo se sucedeu no final do Doutoramento, em que obtive bolsa de Pós-doutoramento da FCT para continuar a investigação realizada até então, por mais 3 anos. Assim, para vos precisar como ou quando soube que queria fazer investigação, talvez vos possa dizer que foi no final do estágio, em 2003. No entanto penso que muito antes o meu coração se inclinou para o estudo da Química Orgânica e Farmacêutica, senão não me teria submetido a uma prova oral de melhoria de nota (já não estava no meu perfeito juízo! Já era a paixão a falar mais alto!).

 

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Titulação de Ideias - Reflexão #4

por Carlos Sá, em 22.10.15

Agostinho da Silva foi porventura um dos maiores filósofos portugueses de todos os tempos embora tenha sido, na verdade, mais controverso do que consensual. Considerado por muitos como um homem à frente das pessoas do seu tempo, morreu aos 88 anos deixando uma extensa obra.

Uma das suas obras intitulada: “As Aproximações”, cuja primeira edição data de 1960 é uma das minhas preferidas e uma obra que recomendo vivamente a todos.

Dessa obra extraio este excerto: “ Morre menos gente de cancro ou de coração do que de não saber para que vive; e a velhice, no sentido de caducidade, de que tantos se vão, tem por origem exactamente isto: O cansaço de se não saber para que se está a viver.” É isto que proponho a todos hoje. Uma reflexão.

A sociedade formata-nos desde o nosso nascimento. Tradições, hábitos e crenças religiosas, crenças políticas, modos de comportamento e de sucesso social, todos nos são transmitidos pelos nossos ancestrais, sem que muitas vezes pensemos sequer um segundo neles. Guiamos muitas vezes as nossas vidas pelo que os outros esperam de nós e nem sempre pelo que hipoteticamente nos pode fazer mais feliz. Sair das “regras” da sociedade, fugir ao espectável, leva à criação dos mais variados rótulos.

Porém, a vida a cada um pertence. Nem sempre o espectável é o que nós queremos, o que nos faz feliz. O caminho que estás a seguir é realmente o que te realiza, ou apenas segues o caminho que te indicaram? Reside aí a diferença entre viver e ir vivendo.

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Magazine Cultural #7

por NCAEFFUP, em 21.10.15

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Categoria: Música

Sebastião Antunes & Quadrilha - Proibido Adivinhar (2015)

Classificação do NC: 8/10

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“Proibido Adivinhar” é o último álbum de Sebastião Antunes & Quadrilha, sendo mais um registo repleto, como já vem sendo hábito, de música tradicional portuguesa. Entre temas originais e versões musicais trazidas pela tradição até Sebastião Antunes, em “Proibido Adivinhar”, o grupo assume uma sonoridade representativa das influências que o marcaram ao longo do tempo.

“Proibido Adivinhar”, “Faz-me Um Favor”, “As Filhas da Rosa”, “E-mail P’ra Paris” são algumas das faixas que compõem este disco e reproduzem justamente o rumo que o coletivo pretende atribuir ao álbum. De assinalar ainda, o agradável esforço demonstrado por Sebastião e companheiros para que as suas cantigas mantenham um tom renovado a cada álbum e, subtilmente, contemporâneo.
“Proibido Adivinhar” é um trabalho que oferece continuidade à longa carreira de Sebastião Antunes e é, até este momento e na minha opinião, um dos melhores álbuns deste ano lançados em Portugal.
Samuel Oliveira

 

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Papel Farmacêutico #4

por Luís Fernandes, em 15.10.15

Farmacêutico de Família

 

Esta semana pensei em abordar um tema que se tem batalhado ao longo do tempo por diversos órgãos ligados ao universo farmacêutico que é o conceito de Farmacêutico Clínico (Farmacêutico de Família).Este conceito existe noutras profissões da área da saúde, como na classe médica, mas também muito se tem falado no enfermeiro de família.

O pressuposto anterior é defendido pela Ordem dos Farmacêuticos e assenta na necessidade de um SNS (Serviço Nacional de Saúde) mais próximo e mais acessível aos utentes.

Se pensarem bem, o profissional de saúde mais próximo da população é o Farmacêutico e a formação e conhecimento que este dispõe, faz com que as farmácias sejam unidades de saúde que podem responder de forma eficaz aos mais diversos desafios do quotidiano do utente. Embora o conceito de Farmácia Comunitária, como unidade de saúde tenha vindo a ser desvirtuado, muito por força da adaptação ao mercado cada vez mais exigente, cujo lucro é impossível de descorar. Considero que ainda assim, as Farmácias Comunitárias são unidades de prestação de serviços de saúde que deveriam passar a integrar a rede de cuidados primários do SNS e com isto dar um importante contributo no acompanhamento dos utentes, especialmente os doentes crónicos.

O estatuto de Farmacêutico Clínico, que reiteradamente os profissionais consideram como seu, não é nada mais que uma forma de colocar no papel muito do que já acontece no quotidiano das farmácias espalhadas pelos mais remotos locais do país e poderá ser um ponto de partida para que, no futuro, o Farmacêutico possa de forma legítima intervir na monitorização da doença e na renovação da terapêutica dos doentes crónicos. Renovação que muitos problemas e incómodos tem provocado nos portugueses, pois considero que o recurso a uma unidade de saúde para renovar uma receita médica é sem dúvida um desperdício de recursos.

Os mais críticos da nossa classe (digo nossa, pois como estudante já me sinto como parte integrante da mesma) podem dizer com discursos embelezados que para a renovação da receita médica é necessário uma consulta para avaliar a eficácia da terapêutica. Pois meus caros "doutores" deste país, concordo e subscrevo essa opinião, embora saiba que isso não acontece em inúmeras unidades do SNS, uma vez que não considero que o levantamento das receitas na funcionária da secretária seja uma consulta de avaliação da terapêutica e esta situação consegue se tornar ainda mais ridícula quando temos os especialistas no medicamentos (Farmacêuticos) à disposição da maioria da população sem necessidade de aguardar por uma consulta e como a vossa sabedoria e sanidade creio que poderá confirmar, os Farmacêuticos estão como é óbvio aptos a revalidar a prescrição e a avaliar a eficácia da terapêutica prescrita.

Por fim, aconselho que este tema seja prioritário na agenda dos responsáveis pela saúde portuguesa e espero que o próximo governo que tome posse, seja ele qual for, aproveite para de uma vez por todas, ouvir os Farmacêuticos e colocar a saúde dos portugueses em primeiro lugar.

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Magazine Cultural #6

por NCAEFFUP, em 14.10.15

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Categoria: Cinema

Os Condenados de Shawshank (1994)

Realizador: Frank Darabont

Classificação do NC: 9/10

 

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“Os Condenados de Shawshank” (The Shawshank Redemption) de Frank Darabont foi nomeado para sete Óscares em 1995, entre os quais o de melhor filme, melhor ator principal (Morgan Freeman) e melhor argumento adaptado (Frank Darabont).

Relativamente ao filme, Tim Robbins interpreta Andy Dufresne, um banqueiro injustamente acusado da morte da sua esposa e do seu amante que, apesar de condenado a prisão perpétua, nunca perde a esperança. Na temida prisão de Shawshank, Andy torna-se amigo de Ellis Boyd “Red” Redding (Morgan Freeman) que , ao contrário de Robbins, deixa que a sua esperança se comece a dissipar, arrependendo-se profundamente do crime que cometera, dia após dia. A sua forma de desviar a dor é tentar não sentir emoções. Com o desenvolvimento da sua amizade com Andy, “Red” descobre que sem esperança nada tem e apenas se torna mais um “institucionalizado”.

Os “Condenados de Shawshank” é, sem dúvida, um dos melhores filmes de sempre. Se, por instantes, nos faz recordar o filme “À Espera de Um Milagre” (The Green Mile), é porque ambos demonstram que Stephen King é um mestre, não só do terror, mas também da narrativa que abala a alma e move o coração. Muito recomendado.

Samuel Oliveira

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